E a luz os ofuscou
Onde estava?
Quem era aquela
Criatura que agora
Olhava, não mais
Mecanicamente,
Para as coisas?
Conhecia-se de
Outra maneira...
Conhecia-se, aliás?
Talvez, antes
Mas agora, espelho
Novo e limpo
Desceu... Subiu, aliás
Pé diante do outro,
Cuidado
Pra não cair de novo.
Sentiu a irregularidade
Das tábuas, do piso
Melhor assim?
Melhor. Assim, seguiu
Janela? Um campo
Uma ponta, uma porta
Do lado oposto
Pegadas. Outra ponta.
Como Santiago, queria
Atar as duas pontas
Que compunham essa vida
Que compunham...
Composição...
Compuseram...
Pretérito?
Vida em pretérito
Medalhas de mérito
Por segurança?
Por colocar-se
Em lugar de outro
Outro que salvou...
Manteve seguro?
O outro de si, manteve
Seguro? Covardia.
Pisou nas pegadas do campo
Pés que já se foram.
Pegadas. Um caminho.
Caminho que permanece,
Trilha, para outros
Aventureiros.
Seguiu pegadas e logo
Encontrou mais delas
E mais, e mais... Infinitas?
Estavam ao redor, no topo,
Nas bordas, no centro,
No tudo. Pegadas. Faróis.
Sentou a um canto. As
Pegadas convidavam,
Chamavam. Continue!
Esperou. Não precisava
Ter pressa. Já achara
O caminho. Os caminhos.
Respirou, sentiu o ar
Adentrando os pulmões,
Levando a pureza a todo
O corpo. A mente, o coração.
Virou o rosto. Olhou o céu
Pássaros, asas... Asas.
Liberdade. Livre da dor,
Livre do mar nos olhos,
Livre do vazio.
Livre do vazio,
Ela ergueu o rosto o quanto pôde
E mirou o azul, abrindo a boca,
Gritando a plenos pulmões
E pela primeira vez desde então...
"ESTOU VIVA!"