"...Mas eu sei que um dia a gente aprende..."
Sim, são as palavras de Renato Russo, imortalizadas na música "Mais Uma Vez", que abrem o post do dia de Natal.
É apenas uma história pessoal, um texto cujo eu-lírico é realmente eu.
Moro apenas com minha mãe. Ela e meu pai separaram-se quando eu tinha menos de um ano, e então ela veio comigo morar em outra cidade, onde moro hoje, perto do restante da família. Meu pai, que morava numa capital, ficou por lá mesmo. No entanto, graças às brigas entre eles, às "picuinhas", eu nunca convivi com o sr. José Erimar Freitas... Não o suficiente para me sentir amada, para receber carinho, ou para notar que ele se importa... Mas o suficiente para saber que ele não sente por mim o que eu esperava que sentisse... O suficiente para saber que ele só lembra de mim quando vai depositar a pensão alimentícia no banco.
Cansei de contar as promessas, as discussões, os maus momentos. Isso tudo quando era criança. Cansei de vê-lo ir me buscar na casa de minha tia quando viajávamos para a cidade dele, me levar para sua casa, e me ver sendo rejeitada por meu irmão mais velho sem nada dizer. Cansei de vê-lo não fazer nada também quando sua atual esposa dirigia insultos à minha mãe, quando sentia tanto ciúme que o despejava sobre mim. Cansei de saber que uma foto minha, que um dia minha mãe mandara pra ele pelos correios, só estava na estante naquele dia, enquanto eu estava lá, por que depois com certeza alguém a colocaria no fundo do baú novamente.
Eu cansei. E, quando cheguei à adolescência, não suportei mais:
Não fui almoçar na casa dele quando me convidou. Expliquei, ainda sendo boazinha demais, que eu não me sentiria bem lá, onde não gostam de mim. Ele assentiu, e ficou frio. Frio como uma mármore em dias de inverno chuvoso... E depois não apareceu mais. Nem uma ligação... Não que ele costumasse ligar.
Isso foi há pouco tempo...
E os natais e fins de ano, nos quais inúmeras vezes eu chorava a saudade, a falta, o vazio de alguém que nunca tinha preenchido nada? E quando eu perdia a ceia por estar trancada no banheiro, desesperada, pensando se ele estaria pensando em mim e tendo a certeza, depois, de que não estaria?
E nos aniversários, nos quais eu pensava se ele tinha lembrado daquele dia, mesmo sabendo que não por que ele sequer ligou?
E quando ele me prometeu, pela centésima vez, que realmente ia ligar, ia procurar saber notícias dessa vez, na porta do ônibus em meu embarque de volta para a cidade de meus avós?
E agora, eu eu finalmente deixei de lado?
Não vou dizer que não sinto vontade de chorar... Não vou dizer que não queria tê-lo presente.
Mas agora eu tento, todas as vezes, convencer a mim mesma de que não preciso dele. Não mais. E o vazio diminui. Aos poucos, mas diminui...
Como disse Renato Russo...
"(...)Mas eu sei que um dia a gente aprende/ Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesm/ Quem acredita sempre alcança(...)"
Eu acredito que um dia vou finalmente esquecê-lo. Ou, pelo menos, vou conseguir fingir que esqueci.
"Quem acredita sempre alcança..."
Críticas & Criações
Agora em versão realista e trevosa. Leia para entender.
sábado, 25 de dezembro de 2010
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Você é real?
Não, não é Matrix. Por mais que pareça, posso garantir que não é. Mas o que vou apresentar lembra - e muito - a teoria que envolve a triologia Matrix, onde o que vivemos é um mundo "de sonho", falso, idealista e superestimado. E o mundo real? Seria cinza, escuro, profundo, nos subterrâneos de uma gigantesca estrutura da qual nascem e na qual morrem todos os seres vivos... uma espécie de sistema, pelo qual podemos nos conectar - inconscientemente - a esse mundo que vemos... a Matrix.
Eu sei que isso é ficção científica aos seus olhos... Mas aos meus é a pura realidade.
Acompanhem meu raciocínio:
No mundo de hoje, no qual estamos, vivemos de aparências - sabores, cores, toques, cheiros, sons... tudo notavelmente simulado. Sabores simulados? Sim... Ou você acha que aquilo que come é idêntico ao que você acha que é? Carne de hambúrguer é vaca morta com conservantes e tempero... Cores simuladas? Sim... Ou você pensa que aquela luzinha azul que brilhava, no acidente com materiais radioativos, era realmente tão inofensiva quanto era bonitinha? Toques simulados... Sim, também... Ou as carícias trocadas entre um homem e uma prostituta são o mais puro amor? Cheiros simulados? Claro! Aquele perfume que você adora é apenas uma mistura de produtos químicos que acaba gerando um líquido de cheiro bem agradável, mas apenas com a inteção de vendê-la. Sons simulados... É o que mais há. Quando se muda o tom de voz para seduzir, por exemplo... Ou aquelas aeromoças, que usam um tom de voz calmo para tentar atrair sua atenção e passar uma impressão de segurança que nem sempre é real.
Então? Ainda acha que a teoria da Matrix não se encaixa, de certa forma, em nosso cotidiano? Claro que não vamos acreditar na existência daquele mundo subterrâneo, trash e tecnológico que vemos no filme... Mas e o que achamos ser verade e não é? Não seria uma forma de Matrix?
E, sim, a Matrix quer você... Seja Neo ou não, seja O Escolhido ou não, ela o faz acreditar que você é especial... E você realmente é, mas não da forma ou pelos motivos que ela alega ser.
Não chego ao ponto de dizer que somos enganados... Nós não somos ludibriados pelo sistema capitalista... Somos ludibriados por nós mesmos, quando escolhemos ler sem interpretar, olhar sem enxergar, ouvir sem entender, sentir sem retribuir...
Eu sei, hoje é Natal... e eu estou sendo muito pessimista. Mas não é pessimismo: é a realidade... E não é tão ruim assim, é? Afinal, são apenas algumas as ocasiões em que tudo é falso, embora seja verdade que, em toda ocasião, existe alguma coisa de falso... E qual o problema em um pouco de mentira para deixar-nos felizes? Mentira de cada um para si mesmo? Mentir para si não é tão difícil quanto se imagina... É assim que sobrevivemos. É isso que nosso instinto nos manda fazer...
Desejo a todos um Natal cheio de falsos sons, cheiros, sabores, visões... E com verdadeiros toques.
:D
FELIZ NATAL!
Eu sei que isso é ficção científica aos seus olhos... Mas aos meus é a pura realidade.
Acompanhem meu raciocínio:
No mundo de hoje, no qual estamos, vivemos de aparências - sabores, cores, toques, cheiros, sons... tudo notavelmente simulado. Sabores simulados? Sim... Ou você acha que aquilo que come é idêntico ao que você acha que é? Carne de hambúrguer é vaca morta com conservantes e tempero... Cores simuladas? Sim... Ou você pensa que aquela luzinha azul que brilhava, no acidente com materiais radioativos, era realmente tão inofensiva quanto era bonitinha? Toques simulados... Sim, também... Ou as carícias trocadas entre um homem e uma prostituta são o mais puro amor? Cheiros simulados? Claro! Aquele perfume que você adora é apenas uma mistura de produtos químicos que acaba gerando um líquido de cheiro bem agradável, mas apenas com a inteção de vendê-la. Sons simulados... É o que mais há. Quando se muda o tom de voz para seduzir, por exemplo... Ou aquelas aeromoças, que usam um tom de voz calmo para tentar atrair sua atenção e passar uma impressão de segurança que nem sempre é real.
Então? Ainda acha que a teoria da Matrix não se encaixa, de certa forma, em nosso cotidiano? Claro que não vamos acreditar na existência daquele mundo subterrâneo, trash e tecnológico que vemos no filme... Mas e o que achamos ser verade e não é? Não seria uma forma de Matrix?
E, sim, a Matrix quer você... Seja Neo ou não, seja O Escolhido ou não, ela o faz acreditar que você é especial... E você realmente é, mas não da forma ou pelos motivos que ela alega ser.
Não chego ao ponto de dizer que somos enganados... Nós não somos ludibriados pelo sistema capitalista... Somos ludibriados por nós mesmos, quando escolhemos ler sem interpretar, olhar sem enxergar, ouvir sem entender, sentir sem retribuir...
Eu sei, hoje é Natal... e eu estou sendo muito pessimista. Mas não é pessimismo: é a realidade... E não é tão ruim assim, é? Afinal, são apenas algumas as ocasiões em que tudo é falso, embora seja verdade que, em toda ocasião, existe alguma coisa de falso... E qual o problema em um pouco de mentira para deixar-nos felizes? Mentira de cada um para si mesmo? Mentir para si não é tão difícil quanto se imagina... É assim que sobrevivemos. É isso que nosso instinto nos manda fazer...
Desejo a todos um Natal cheio de falsos sons, cheiros, sabores, visões... E com verdadeiros toques.
:D
FELIZ NATAL!
sábado, 18 de dezembro de 2010
Descoberta
Minha descoberta aconteceu esta noite.
Eu estava sonhando com alguma coisa normal, quando de repente o sonho mudou para uma cena estranha, mas ainda assim aceitável: todos os meus amigos e uma grande parte dos colegas da escola estavam viajando. Eu não estava nessa viagem, assim como mais uns 10 ou 20 do colégio também não. Estávamos vendo os outros entrarem no ônibus e colocarem suas bagagens no maleiro, e nos despedindo.
Então o sonho pula para uma outra cena: o ônibus em que essas pessoas estavam viajando sofre um terrível acidente, o qual eu não lembro exatamente como foi, mas sei que foi muito grave.
A passa então, pula mais uma vez, e estão agora me dando a notícia de que ninguém sobreviveu ao acidente... meus melhores amigos tinham morrido. Meus colegas de escola que viajaram, mesmo os que eu não conhecia bem ou não gostava tanto, estavam mortos.
E então eu me vi em um desespero que ultrapassava a barreira dos sonhos. Meus olhos pareciam arder de verdade, as lágrimas me molhavam totalmente, e eu gritava tanto que quase perdia a voz, mas mesmo assim queria continuar gritando. Eu queria ir até o local do acidente, procurar, ter certeza de que aquilo não estava certo, não era verdade, eles não tinham olhado direito - tinha de haver alguém, pelo menos um que fosse, vivo.
Depois passa uma cena onde os coordenadores da escola estão indo até o local, e eu os estou perseguindo pelas escadas, implorando para ir junto, implorando para fazer alguma coisa, para constatar que aquilo não estava acontecendo.
E eu gritava:
-- ELES SÃO MEUS AMIGOS! TODOS OS MEUS AMIGOS ESTAVAM LÁ!
E as pessoas me olhavam com pena, todos tristes, mas ninguém tão desesperado quanto eu.
Quando acordo em um sobressalto, minha garganta arde, meus olhos também ardem, e mesmo sabendo naquele momento que foi só um pesadelo, um pesadelo muito ruim, mas que tinha passado, que não era real... Eu ainda estava chorando. Estava desesperada, tão desesperada que nem imaginava que pudesse ficar assim.
No outro dia, no caso hoje de manhã, quando contei à minha mãe, ela disse algo do tipo:
-- Ah, por isso que você estava gemendo.
-- Gemendo? - perguntei, sem acreditar. Eu não lembrava disso.
Ela falou:
-- Sim, como se estivesse passando mal ou algo assim. Mas fui no seu quarto e você estava apenas dormindo, toda encolhida.
O que eu descobri com isso?
Bem, eu descobri que, mais uma vez, não me conheço bem como pensei que conhecia...
Por que eu nunca imaginei que gostasse tanto assim de todos os meus colegas de escola - não só meus melhores amigos, mas todos os outros também.
Eu nunca imaginei que tivesse mudado tanto assim... Que eles tivessem me mudado tanto assim.
Como aconteceu isso? - mais uma vez eu me pergunto.
Quando foi que eu deixei de ser egoísta? Quando passei a me importar tanto assim com todo mundo?
Não sei... Realmente não sei.
Mas de uma coisa, mais uma vez só de uma coisa eu tenho certeza:
As mudanças que sofremos são como uma gota de tinta que cai em um copo d'água:
No início, parecem ficar quase imperceptíveis...
E depois se alastram por todo o interior, tornando tudo tão diferente que nem sequer reconhecemos mais aquilo que antes era normal.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Quer ver coisas engraçadas?
http://babagomisses.blogspot.com
Então... Hoje eu descobri que sou masoquista.
É sério...
Hoje eu vi alguém que eu passei muito, muito, muito tempo mesmo amando... Com outra pessoa. E o que eu faço? Continuo olhando! Continuo olhando, como se fosse um preço a pagar por ter gostado tanto tempo dele, passado tanto tempo tentando conquistá-lo, e agora olha como fui recompensada: ele está namorando com a pessoa mais improvável e a que, dentre todas as outras, me magoa ainda mais ver ao lado dele.
Mas eu continuo pensando nisso, continuo olhando, olho pessoalmente, olho em fotos, olho em vídeos... Minha nossa! Que merda de masoquismo é esse que tanto destrói, que tanto dói... Só não dói mais que um amor não correspondido.
Os dois juntos, no entanto, são mais do que eu posso suportar... Mas o que eu posso fazer para fugir? Não sair de casa? Não entrar na internet?
Sou masoquista, mas não sou burra...
Eu vou dar um jeito de resolver isso. Nem que eu tenha de me esforçar para gostar de outra pessoa para substituí-lo, mas eu vou ter de dar um jeito de apagar de vez esse sentimento por ele...
Queria MUITO ser tão forte quanto aquelas pessoas que dizem: "o que tiver de ser meu, será". Mas eu não sei... Eu sou fraca. Fraca demais até. E, ainda por cima, sei que se eu me apaixonar por outra pessoa posso acabar me sentindo tão mal quanto agora... Mas não há nada que eu possa fazer para evitar. São coisas da vida. E eu tenho certeza de uma coisa. Uma só, enquanto todo o resto é bagunça... De uma única coisa eu realmente sei:
Isso, com certeza, vai me fazer aprender alguma coisa.
Alguma coisa que realmente valha à pena.
Alguma coisa que me permita ajudar alguém algum dia que também esteja nessa situação.
E, assim, passar o conhecimento adiante.
É... Eu sou mesmo uma caixinha de surpresas... Uma caixinha que nem eu mesma sei o que vai revelar quando abrir.
Afinal... Quem poderia imaginar que um dia eu ia querer ser professora de alguma coisa?
:)
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Confissões de um passarinho

Encerrei-me em meu mundo por medo de sofrer
E agora, pela primeira vez saindo da gaiola, tenho medo de esbarrar nas paredes.
Essas paredes, antes, nada significavam pra mim, por que eu não as via. Mas, desde que passei a enxergá-las, estou tonto e esbarro nelas vez em quando.
Eu queria abrir minhas asas e voar livremente, mesmo que caíssem penas... E daí? As penas são minhas, não são? Deixe eu voar, mesmo que elas caiam. Isso cabe a mim, e apenas a mim.
Eu amo quem me pôs na gaiola, amo quem me alimenta e me sustenta, amo quem me dá carinho...
Mas às vezes é preciso renunciar ao amor rotineiro e buscar novas formas de amor, novas formas de amar.
Preciso encontrar outros pássaros... Mas tenho medo.
Tenho medo do gavião, que pode ver tudo e pelos outros é venerado.
Tenho medo do joão-de-barro, que é tão perfeito em sua simplicidade.
Tenho medo do sabiá, que canta como ninguém e chega a humilhar os outros por isso.
Tenho medo dos pombos, que levam e trazem mensagens... Mensagens que nem sempre são verdadeiras.
Tenho medo das galinhas, que têm asas mas não ousam voar.
Tenho medo dos papagaios, que tudo repetem e nada criam.
Tenho medo das gaivotas, que voam pra longe e raramente voltam.
Tenho medo dos periquitos, que são sempre tão coloridos...
Mas também tenho medo dos urubus, que ficam à espera da desgraça dos outros.
Mas o que vou fazer? Não voar? Não sair da segurança da gaiola?
Queria não ter medo de sair ou, quem sabe, ter a coragem de ficar.
Mas estou preso entre os dois... Tenho medo de sair, mas não quero ficar.
Quero usar toda a capacidade de minhas asas, até que fiquem sem penas, até que fiquem tão gastas que eu não possa mais voar.
E, quando eu não puder mais estender minhas asas em direção ao céu azul, que eu possa ter as mais belas lembranças do que e de quem encontrei pelos céus da vida.
E dizer, na partida, que nunca se esquece o caminho de volta para o ninho...
(eu)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
EU SEI - (para Arthur Rondeyvson)
... E de repente a sua alegria. E aí eu já não sabia mais quem eu era, nem o que estava fazendo ali, em frente à máquina que só serve para aumentar a minha sensação de tédio e incompetência. O mar salgado que Camões cita em seus Lusíadas desce por meu rosto, encharca minha roupa por um instante. Ó, mar salgado, quanto do teu sal são minhas lágrimas? E quanto de minhas lágrimas são produto das glândulas? Seriam, na verdade, um produto do coração? Mas um coração que chora, que produz essa mistura de água, sal e sei-lá-mais-o-quê não é normal... Mas desde quando eu sou normal?
Aliás, desde quando eu choro de alegria pelas conquistas de alguém que não as minhas próprias? Eu não sou assim... Eu não era assim... As únicas vezes em que chorei de alegria, que foram duas, eu chorei de felicidade por algo que eu mesma tinha conseguido... E foi pouco. Não foi um mar, foi um riacho, talvez nem isso... Talvez só uma poça. Eu não era assim. Eu era egoísta, principalmente em se tratando de minhas lágrimas...
Como você conseguiu esse milagre? Foi o seu dom de conhecer sem perguntar? O dom de aceitar sem julgar? O dom de abrir um coração que já estava fechado? Ou o dom de cativar uma amizade que não vê nada, assim como a dama da justiça, que só enxerga com o coração? Eu não sei se foi mágica, se foi involuntário, se sei-lá-o-quê. Uso muito o sei-lá por que nunca sei de nada. Nunca soube de nada. Nem de mim mesma.
Como você conseguiu? Eu ainda não sei. Me conte esse segredo... Se você me contar, eu posso abrir meu próprio coração de novo... Abri-lo ao mundo, que está ansioso pra entrar, mas eu insisto em deixar poucos - pouquíssimos - passarem pelo portão estreito que leva ao meu afeto.
Eu achei que me conhecia... Até então... Até que veio a sua alegria... E então ela se tornou minha.
Mas, talvez, não seja algo tão altruísta assim. Pode ser alegria: alegria por que você não vai embora. Por que a sua alegria sinaliza algo que leva à minha alegria também... Mas ainda há aquela pontinha de felicidade por você... Realmente há... Eu sei que há. Sabe quando você sabe sem saber como, mas sabe? Pois é... Eu sei.
Como você fez isso?
O MUNDO DA FAMA DENUNCIADO PELOS FAMOSOS
Durante o ano passado e esse ano, uma onda de músicas críticas tem se espalhado e ganhado espaço na mídia. Elas falam sobre fama, dinheiro, popularidade e outros tipos de formas de exclusão social, e são lançadas por cantores jovens e famosos. O que me chama atenção é, além da letra, o fato de os artistas serem norte-americanos. Como sabemos, a América do Norte, mais precisamente os EUA, é palco de incríveis atrações que todos nós conhecemos, mas também sabemos que é uma espécie de fábrica de Monroes, Curtis, Travoltas, e inúmeros outros artistas que parecem moldados para perfeitamente servirem ao sistema das produções da terra do sucesso.
Mas denúncias sobre a popularidade vindas de jovens cantores nacionais são novidade. Miley Cyrus, Demi Lovato e Mitchel Musso exemplificam perfeitamente essas críticas. Vamos ver o que quero dizer com trechos de músicas deles:
- Party in The U.S.A. - Miley Cyrus -
"Welcome to the land of fame excess
Am I gonna fit in?"
Tradução:
"Bem-vindo à terra do excesso de fama
Será que eu vou me encaixar?"
- LA LA Land - Demi Lovato -
"Some may say I need to be afraid
Of loosing everything
Because of where I
Had my start
And where I made my name
Well, everything is the same
In the LA LA land machine"
Tradução:
"Alguns dizem que eu devo ter medo
De perder tudo
Por que de onde eu vim
E onde eu fiz meu nome
Bom, tudo é igual
Na máquina de Los Angeles"
- The In Crowd - Mitchel Musso -
"I wonder what is like to have it all
To never be afraid that I would fall
But I don't think I've ever known a time
When I was part of the in crowd"
Tradução:
"Eu gostaria de saber como é ter tudo aquilo
Para nunca ter medo de errar
Mas eu acho que nunca houve uma época
Em que eu fizesse parte da galera popular"
Só citei trechos aqui, mas durante toda a letra das músicas acima citadas nota-se uma severa crítica aos padrões da sociedade capitalista em geral, com enfoque na sociedade norte-americana, e os cantores se colocam na posição daqueles que não correspondem aos padrões, o que mostra que até mesmo eles podem sentir-se deslocados em meio à fama, ao poder, ao dinheiro.
Recomendo essas músicas a todos, e recomendo também que prestem atenção à letra e procurem a tradução para fazer uma reflexão. A maioria dos economistas e filósofos políticos não acreditam nisso, mas a sociedade capitalista tem uma previsão de colapso. Talvez demore muito, mas um dia esse colapso chegará. Esses cantores, denunciando seu próprio mundo, são a prova disso.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
DA PERFEIÇÃO AO DESESPERO - Olga e John

Contrariando todas as expectativas, a "perfeição" de hoje é um filme BRASILEIRO. Considerando que o cinema nacional nunca me agradou, por ter foco no sexo e na violência, é realmente uma surpresa que eu tenha assistido e gostado do filme "Olga - muitas paixões numa só vida".
Mas todos devem reconhecer que Olga foi a superação. Nem o que veio antes nem o que veio depois desse filme fez com que o cinema brasileiro mostrasse alguma competência. Embora "Carandiru" e "Dois filhos de Francisco" tenham me chamado a atenção como bons filmes, nenhum atingiu a primazia; o primeiro tem o mal da parcialidade: o filme é narrado segundo a visão do médico Dráuzio Varella - o que não é de todo ruim mas, de qualquer forma, não é a visão geral de um ambiente, não é um estudo: é a forma como o Dr.Varella viu o local. "Dois filhos de Francisco"tem o mesmo problema. O caso, porém, é um tantinho pior - fica claro para todos que a história da famosa dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano não é contada de forma realista no filme, pois saltam aos olhos os "floreios", os enfeites, a fantasia colocada propositalmente, claro, para transformar o filme em um conto-de-fadas brasileiro. É claro que a história real deles tem seus méritos - mas o fato de essa filmagem ter a característica "fada madrinha" faz com que ele também não alcance o topo. Outro filme que, lembro agora, me chamou a atenção positivamente é "Zuzu Angel", que retrata a ditadura e a luta de uma mãe em busca não de seu filho, mas já do corpo deste (que sumiu depois da tortura ao qual foi submetido). Há algo nele, porém, que não sei descrever... Mas não me chamou a atenção. Na verdade, "Zuzu Angel" não supera expectativas... Ele fica dentro do que imaginamos, talvez até um pouco abaixo.
Mas "Olga" é o auge, o apogeu de um cinema que pouco desenvolveu-se até agora, se comparado ao de outros países, mas conseguiu atingir - mesmo que com um só filme - a perfeição. A história é narrada de forma nada sutil, mas também não é fantasiosa... Olga Benário, perfeitamente interpretada por Camila Morgado, tem uma história de vida cativante, revoltante e, de certa forma, assustadora. E é esse lado assustador que traz à tona o melhor de cada um dos espectadores.
Olga Benário foi a esposa de Luís Carlos Prestes (o lider da Coluna comunista no Brasil, que lutou contra a ditadura de Getúlio Vargas)... Foi também uma comunista, uma judia, uma mãe... Mas, acima de tudo, Olga foi uma lutadora. E, mediante uma vida de loucuras e sofrimentos (intercalados por raros pedacinhos de alegria), ela conseguiu encontrar "a luz no fim do túnel": a felicidade em meio à dor, a coragem em meio ao medo, a força em meio à fraqueza. Quando todos desistiram, Olga permaneceu de pé. Os responsáveis pelo filme souberam fazer dessa belíssima história algo ainda mais belo. O resultado é uma narrativa simples, intrigante, e que, ao final, supera muito mais que as expectativas - supera tudo o que você já viu ou ouviu, e tudo o que você mesmo imaginou.
Recomendo "Olga" a qualquer pessoa, de qualquer idade, qualquer cultura, qualquer opinião, qualquer nacionalidade, qualquer estilo, enfim... a todos. Não há restrições. "Olga" é simplesmente A PERFEIÇÃO em meio aos desastres do cinema do Brasil.
DO DESESPERO: Querido John
Também contrariando expectativas, o "desespero" da vez é o filme NORTE-AMERICANO. Sempre apreciei a maioria dos filmes dos norte-americanos e, vamos concordar: o histórico das produções de Hollywood não deixa muito a desejar. Outra razão para se esperar muito desse filme? A história vem de um livro de mesmo título, escrito pelo autor Nicholas Sparks.
O filme conta a história de John Tyree, um soldado que se apaixona por uma universitária durante uma de suas folgas do exército. Ela corresponde à paixão, e os dois vivem um daqueles "amores de verão", que permanece durante o tempo em que John precisa voltar ao trabalho e viaja para longe em perigosas missões. Em um dado momento, o filme mostra o atentado de 11 de Setembro, que seria basicamente a "seta" que indica o rumo para o final da história. John e a garota que ele ama (a qual se chama Savannah) trocam correspondências apaixonadas, as quais são narradas durante certas cenas do filme. Não vou contar o final, por que aqueles que não assistiram podem se prejudicar por isso... Mas o que posso dizer é que o filme não atende às expectativas de quem o assiste, tendo essa pessoa lido ou não o livro no qual essa filmagem se baseia.
A história é contada em um ritmo lento e, depois de certo tempo, torna-se desgastante - você chega a olhar quanto tempo falta para terminar aquilo. As cenas são comuns demais, John e Savannah quase não mostram seu "eu" interior, e as partes interessantes do filme têm todas o foco desviado para o romancezinho ridículo dos dois. Tudo para, no desenrolar da história, chegar a uma decepção para quem esperava um final digno.
O que piora a situação? O "alarde" que foi feito em torno desse filme, a atmosfera de expectativas criada. Por ser fruto de um livro, também, foi um desastre: o livro com certeza deve ser melhor. Pelo menos um pouco melhor, mas deve ser.
Uma coisa boa - para não dizerem que sou pessimista: o filme relata, em dado momento, o pai de John, que é um homem quase idoso e autista. Essa é a única coisa realmente interessante que vi, dado que não conheço outras produções que relatem um autista adulto.
Mas, dada a história e o modo como é retratada, "Querido John" leva o expectador ao DESESPERO.
NOVA SÉRIE DE POSTS
Oi, pessoal... Estou falando diretamente com vocês pra anunciar a nova série de posts que vou começar. O nome dessa série vai ser: "DA PERFEIÇÃO AO DESESPERO". Nesses posts, vou falar sobre duas coisas: uma que gostei MUITO, e outra que ODIEI. Podem ser livros, filmes, situações, games, enfim... Qualquer coisa, mas que eu possa encontrar opostos e compará-los.
Espero que vocês gostem!
^^
O que eu sempre quis

Calei, mas tudo o que eu queria era ser ouvida
Fingi, mas tudo o que eu queria era ser verdadeira
Errei, mas tudo o que eu queria era acertar
Fiquei no chão, mas tudo o que eu queria era me reerguer
Fiquei parada, mas tudo o que eu queria era agir
Lembrei, mas tudo o que eu queria era esquecer
Deixei, mas tudo o que eu queria era levar
Parti, mas tudo o que eu queria era ficar
Vi, mas tudo o que eu queria era não enxergar
Aceitei, mas tudo o que eu queria era protestar
Acordei, mas tudo o que eu queria era sonhar
Perdi, mas tudo o que eu queria era encontrar
Sorri, mas tudo o que eu queria era chorar
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
NO DIA...
No dia em que eu saí de casa, minha mãe me disse:
"Arrasa, vai lá!"
Falou que eu cortasse o cabelo, olhou em meus olhos, e começou a falar:
"Por onde você for: não se drogue, não beba, não roube, e tudo vai ficar bem"
"E quando chegar lá, não esqueça de ligar, mande e-mail também"
Eu sei que ela sempre compreendeu
Que o meu sonho era sair de lá
E foi por isso que até um cartão de crédito resolveu me dar
Eu não queria continuar ali
Portanto, o que fiz foi me apressar
Quando eu saí ela trancou a porta, e o meu caminho sozinho fui trilhar
Minha mãe naquele dia me falou do mundo como ele é
Parece que ela conhecia cada busão que eu ia pegar pra não andar a pé
Separada do meu pai, ela me criou sozinha e nem quis saber
E ela disse assim:
"Meu filho, estude muito, que um dia o mundo vai ser seu"
Eu sei que ela sempre compreendeu
Que o meu sonho era sair de lá
E foi por isso que até um cartão de crédito resolveu me dar
Eu não queria continuar ali
Portanto, o que fiz foi me apressar
Quando eu saí ela trancou a porta, e o meu caminho sozinho fui trilhar
APOGEU E DECADÊNCIA
Idade Média: a Igreja Católica está no auge. Finalmente tem tudo o que almejava desde seu surgimento: dinheiro e poder. Dinheiro por meio de impostos arrecadados de cidadãos comuns por meio de absurdos como "ingressos para o céu". Poder por meio de sua incrível - quase mágica - oratória, que tudo conseguia, tudo destruía, e a todos convencia. Chegou-se a proibir o acesso ao conhecimento, chegou-se a convencer os camponeses pobres que iriam para o inferno por não poder comprar o tal "passe para o céu". Chegou-se a perseguir, acusar e matar mulheres por que estas rumavam para outros tipos de religião e se recusavam a acreditar nas palavras da "Santa Madre Igreja". Chegou-se a comprar ou matar os maiores gênios de nossa história por que contrariavam o que era dito por "ela". Chegou-se a ter um Tribunal da Inquisição dentro daquela que não deveria julgar ninguém - pois só a Deus cabe julgar. Ela tinha tudo, tinha todos...
Mas, como diz um homem genial do qual tive a honra de ser aluna, depois do apogeu vem sempre a queda. E a direção que a Igreja tanto apontou, para os fiéis que não podiam pagar pra ir ao céu, se tornou a direção que a própria começou a tomar: para baixo. Decadência, decadência. Perda de poder, perda de dinheiro... Perda de fiéis.
O número crescente de outras religiões - que vejo mais como opções - acabou por soterrar boa parte do corpo enorme e aparentemente indestrutível da Santa Madre Igreja... Só uma pequena parte permanece respirado, pois a cabeça ainda aparece no topo do monte de areia que continua a cair da ampulheta enorme do tempo. Quem poderia prever cada vez menos poder? Quem poderia prever que a Igreja teria de pedir dinheiro aos fiéis para reformar seus estabelecimentos? Quem poderia prever que um dos Papas pediria perdão um dia pelo que antes era uma das bases da instituição mais poderosa de todos os tempos? E agora, Igreja Católica?
Por mais incrível que pareça, agora ainda há solução: o mundo mudou, as pessoas mudaram... e você permaneceu imutável. Como pode recuperar-se de tamanho tombo se não tem membros para se erguer? Seus membros rumaram para o budismo, para o protestantismo, para o judaísmo, para a total incredulidade... Como pode levantar se não os reconquista? E como pode reconquistá-los se eles mudaram e você não?
Quer a solução? Reescreva a Bíblia em uma linguagem mais moderna - digo moderna, mas não precisa deixar de usar a linguagem formal. Reveja sua posição em relação a coisas que hoje são inevitáveis. Retrate-se mais vezes, pois um só pedido de desculpas não basta diante do que aconteceu antigamente. Esqueça os tempos de glória... esqueça os templos de glória... reconheça que a casa de Deus é em todo lugar - e que, portanto, vocês podem celebrar em todo lugar. Mude a forma de se comunicar: ninguém pode alcançar o outro lado do rio sem um barco. Cumpra aquilo que promete. Explique o que fica apenas subentendido. Mostre sua face boa - a qual, há muito tempo, esquecemos...
Se não fizer isso, estará fadada à destruição... Pelo menos temporariamente. Será que vocês só vão fechar a porta quando o ladrão já tiver entrado?
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Mama África
Mama África
Teus filhos estão morrendo
Teus filhos estão matando
Teus filhos estão sofrendo
Mama África
Os urubus espreitam
As ruas se estreitam
Em meio aos conflitos
Mama África
Teus olhos negros
Tua pele negra
Tua aura iluminada
Mama África
Mãe de todos
Mãe de tudo
Mãe solteira
Mama África
És gigante
És pulsante
És companheira
Mama África
Que dor enorme
Ao ver que dormem
Mas não se aquietam
Mama África
Não te consolo
Por que não posso
Com teu sofrer
Mama África
Tu davas frutos
Hoje esperas futuro
Sem nada em que crer
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O Monstro

O monstro devora a todos
E devora a si mesmo;
Devora sonhos
E até mesmo pesadelos.
O monstro não está entre grades
Ou entre paredes, não
O monstro também não está à solta.
E no lugar mais improvável
O monstro se esconde:
Do lado de dentro do espelho.
O monstro comete muitos erros;
O monstro não tem amigos;
O monstro não tem mais forças;
E em vez de consumir aos outros,
O monstro consome a si mesmo.
O monstro chora às vezes...
De solidão;
Mas não faz nada...
Afinal, como poderia um monstro
Ter companhia e ser amado?
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