Críticas & Criações

Agora em versão realista e trevosa. Leia para entender.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Descarrilhado

Tenho medo das mãos, por que as mãos têm os dedos, e os dedos cutucam as feridas. As mãos vêm em forma de bocas, os dedos vêm em forma de palavras. Mas as palavras que são ditas não são as que procuro. Nem usando a maior lente de amplificação do mundo, porém, eu poderia encontrá-las, por que elas nem foram pronunciadas. Nem sei se foram pensadas. Perderam-se, talvez... Ou simplesmente não tiveram coragem de sair. Motivação de sair.
O que me preocupa é justo o por quê de não terem saído...
As bocas me esqueceram?
Os pensamentos não falaram em mim?
A lembrança não atormentou?
A lembrança me atormenta... Mas eu quase não tenho lembranças... E é tanta incerteza, Meu Deus, tanta incerteza, que nem sei mais o que pensar.
Fui abandonada? Fui esquecida? Fui coagida a agir como agi? Ou agiram por mim e eu nem vi?
São tantas perguntas! Eu não consigo alcançar as respostas... Talvez seja uma só. Talvez sejam várias. Talvez não existam.
O pior é que, se fui abandonada, foi por quem mais deveria me amar... Por quem devia me amar incondicionalmente e agora sequer lembra que eu existo... Sabe, mas não lembra... Como um aluno muito nervoso em uma prova... Mas ele tem coração para sentir-se nervoso? Ele estudou o suficiente para responder a uma prova? Eu não sei. Quase nada sei sobre ele. Apenas que me esqueceu... Me esqueceu e eu não sei por que. Não fiz nada de ruim, que lembre. Desde quando respeitar-se é um crime? Devo ser julgada?
Quando tentei falar, ele me impediu, pois as palavras que falou depois apagaram as que eu tinha dito... Ele virou tudo de pernas pro ar. Ele transformou o que não existia em algo existente e terrível demais para existir.
Isso me atormenta. Isso sempre vai me atormentar. E eu sei. Mas não quero dar o primeiro passo. Quero esquecer.
Maldita memória que não me permite esquecer!
Malditas mãos que não me permitem fingir!
Malditas bocas que sequer me deixaram viver!
Benditas palavras que sequer puderam existir!

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