Veio como um raio
Me deu choques constantes
E me deixou elétrica
Depois transformou-se em água
Maleável, suave e ao mesmo tempo forte
Depois virou espuma
Ilusão, que se desfazia entre meus dedos
Depois virou fogo
Que queimava meus sonhos
E os transformava em cinzas
Depois virou terra
Que eu queria pisar, espalhar
E na qual um dia eu quis construir
Depois virou gás
Mas um gás tóxico
Que a todos contaminou
Que me deixou confusa
E que me fez desejar não mais respirar
Agora?
Agora espero, usando uma pseudo-máscara
Espero que vire poeira
Que vá embora com os giros
Que depois assente, acalme em outro lugar
Em outra parte da estrada
Espero que não mais se torne raio
Que não mais se torne água
Nem espuma, nem fogo, nem terra
Espero que fique imóvel onde deveria estar todo o tempo
E que não venha mais me importunar
Embora eu saiba que, pra tornar a raio
É apenas uma questão de tempo
E então...
E então recomeçam os choques
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