Críticas & Criações

Agora em versão realista e trevosa. Leia para entender.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Ciclo

Veio como um raio
Me deu choques constantes
E me deixou elétrica

Depois transformou-se em água
Maleável, suave e ao mesmo tempo forte

Depois virou espuma
Ilusão, que se desfazia entre meus dedos

Depois virou fogo
Que queimava meus sonhos
E os transformava em cinzas

Depois virou terra
Que eu queria pisar, espalhar
E na qual um dia eu quis construir

Depois virou gás
Mas um gás tóxico
Que a todos contaminou
Que me deixou confusa
E que me fez desejar não mais respirar

Agora?
Agora espero, usando uma pseudo-máscara
Espero que vire poeira
Que vá embora com os giros
Que depois assente, acalme em outro lugar
Em outra parte da estrada

Espero que não mais se torne raio
Que não mais se torne água
Nem espuma, nem fogo, nem terra
Espero que fique imóvel onde deveria estar todo o tempo
E que não venha mais me importunar

Embora eu saiba que, pra tornar a raio
É apenas uma questão de tempo
E então...
E então recomeçam os choques

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