Na realização de mais um "talvez"
Na roda gigante da vida... Moinho
Que nos leva alto, abaixo, sozinho
A cada olhar me dói a íris
Na reflexão de imagens líricas
Que não passam agora de filme antigo
E na imagem de TV que desliguei ao vivo
A cada toque me dói a ponta dos dedos
Na ilusão de que havia espuma, não rochedos
Na realização de um sonho que virou pesadelo
Cortam-se em cacos que não refletem o espelho
A cada sorriso me dói a boca
Na vontade de me deixar ser louca
No desejo de que não mais doam
As palavras que ainda me magoam
A cada cheiro me dói a lembrança
De ter perdido a esperança
E eu farejo, encontro, mendigo
Carinho, afeto, amigo... Ou mais que isso?
Gosto de sangue amargo
Sobe do coração à boca
E do cérebro, a pouca
Alegria restante escoa
Tudo saindo nas lágrimas
Que escorrem, por um rosto
Que não se reconhece mais
Esqueci do que eu sou capaz
A incapacidade de esquecer
A vontade de viver
Fazem em mim grande pergunta
E grande contradição: como,
Como lutar pela vida
Com um punhal no coração?
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