Críticas & Criações

Agora em versão realista e trevosa. Leia para entender.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Rei_nada

Sem palácio, sem castelo,
Desolada. Ela caminha
Quem outrora foi uma rainha
E agora nada é, nada tem
Além do desespero

Nos jardins, as flores murchas
Nos corredores, molduras vazias
Na sacada, a lua se esconde
Pra onde foram todos, pra onde?

O rosto, outrora belo, agora
Contorcido em dor profunda
Nem finge, sequer tenta negar
A tristeza na qual, não lentamente
Afunda

Busca algo, um aconchego, e encontra
Dentro de si um mistério, interrogação
O que seria aquilo encrustado
Como uma pedra com raízes fundas,
Bem fundas, dentro de seu coração?

É um rosto, é um espelho, é um livro
É tudo e nada, ela não mais reconhece
O novelo se desfaz como o castelo
Em pedaços. Ela ora em vão, faz preces

Sendo divindade ou mitologia [quem
sabe]
A velha e duas irmãs. Com pena espia
E mesmo aquela que possui a linha fina
Sente pena da mulher, tão pequenina
Com uma imensidão dentro de si

"Buraco negro que abriu-se em meu peito
Suga tudo, em tudo dá jeito
Menos na dor que me faz curvar
Sobre mim mesma"

Rainha sem coroa, sem castelo
Sem tesouros, sem riqueza
Que ergueu ao seu redor, fortaleza
Esta que também agora desmorona

Um som, lamento do não-esquecer
Atravessa o pátio, o salão, e ecoa
Atravessa muros e, na beira da lagoa,
Uma lágrima negra termina de correr

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