Críticas & Criações

Agora em versão realista e trevosa. Leia para entender.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Mil, nenhuma noite

Dobra-se como cobra
Sobre si
Recobra a consciência
Espera novamente uma falência
Para mergulhar na escuridão sem dor

Mas a psique não permite
A mente ainda insiste
Abrem-se os olhos
E logo faz-se fonte sobre a fronte

Tudo o que foi perdido
Retorna. Tênue, esvoaçante
E quando a mão vacilante
Tenta alcançar
Novamente se desfaz a névoa
Em gotas de vapor de sonho
Em asas que não vão voar

Lamento profundo escorre
Do olho, do queixo, do peito
Desce o rosto ao mais
Baixo que pode: o colo
E descendo tanto, como restaria
Ali algo de orgulho?

O medo e o frio se achegam
Tentam acalentar, mas falham
Embora sejam companheiros
De toda noite. Inalam
Perfume de dor, bem forte

A bússola perdeu seu Norte
E no mar afoga-se um suspiro
Que abre espaço para mais água
Mais mar, oceano, perigo

Afoga-se dentro de si
Já não tem mais em que
Agarrar-se
As bordas escorregam
As mãos não estão firmes
O frio em nada ajuda

Cai no abismo, quem dera
Fosse do esquecimento
É um poço de memórias
Que são boas
Ou, pelo menos, deveriam ser

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