Sobre si
Recobra a consciência
Espera novamente uma falência
Para mergulhar na escuridão sem dor
Mas a psique não permite
A mente ainda insiste
Abrem-se os olhos
E logo faz-se fonte sobre a fronte
Tudo o que foi perdido
Retorna. Tênue, esvoaçante
E quando a mão vacilante
Tenta alcançar
Novamente se desfaz a névoa
Em gotas de vapor de sonho
Em asas que não vão voar
Lamento profundo escorre
Do olho, do queixo, do peito
Desce o rosto ao mais
Baixo que pode: o colo
E descendo tanto, como restaria
Ali algo de orgulho?
O medo e o frio se achegam
Tentam acalentar, mas falham
Embora sejam companheiros
De toda noite. Inalam
Perfume de dor, bem forte
A bússola perdeu seu Norte
E no mar afoga-se um suspiro
Que abre espaço para mais água
Mais mar, oceano, perigo
Afoga-se dentro de si
Já não tem mais em que
Agarrar-se
As bordas escorregam
As mãos não estão firmes
O frio em nada ajuda
Cai no abismo, quem dera
Fosse do esquecimento
É um poço de memórias
Que são boas
Ou, pelo menos, deveriam ser
Nenhum comentário:
Postar um comentário