Me perguntam, irônicos
Quero
Eu respondo, séria
Me olham como se eu fosse um poço profundo e impossível de adentrar
No qual vivem monstros que logo atacarão quem se aproximar
O poço é profundo
Mas não é impossível adentrá-lo
Os monstros vivem mesmo lá
Mas não vão atacar qualquer um que se aproxime
Fazem o que pedi que fizessem
Mas me olham como descrentes do que falei
Não ligo, não adiantaria
A visão deturpada que têm do choro
É tão caleidoscópica
Que a mim realmente parece um sonho
Daqueles com xadrez e perspectiva
Que confundem a mente
Chorar não é ruim,
Alego
E não me dão crédito
Tudo o que eu quero, às vezes, é chorar
Continuam sem me dar crédito
Então eu choro
Tentam me fazer parar
Eu gosto disso, acalentam-me a alma
Mas também preciso continuar chorando
Porque se eu não chorar
Como vou desentoxicar meu coração?
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